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abr 14 2024

800 anos dos estigmas de São Francisco

A Identificação de Francisco com o Cristo da Cruz

 

Neste ano a Ordem Franciscana comemora os 800 anos estigmas de São Francisco , ocorrido em setembro de 1224, no Monte Alverne. As chagas que ele portou durante  os  últimos dois anos de sua vida revelam mais do que uma experiência única no encontro com o Serafim Crucificado , mais uma  identificação de quem, em sua vida, buscou assemelhar-se  em tudo ao Cristo pobre e humilde da Cruz.

São Boaventura descreve que desde  o começo  de sua conversão, São Francisco cuidava de trazer em seu corpo, pela mortificação da carne, a cruz de Cristo que já levava em seu coração(LM 1,6). O ponto de partida da devoção de São Francisco a Paixão de Cristo foi o encontro que teve com o crucifixo de São Damião . O Deus que falava com Francisco possuía um rosto : o do crucificado. Francisco tinha plena  convicção de que havia o Cristo da cruz que lhe havia falado e confiado uma tarefa concreta que deveria cumprir em toda a sua vida. Desde à sua conversão até sua morte, Francisco buscou viver uma união plena com aquele de quem desejava ser cada vez mais semelhante.

A vocação é um dom de deus. O jovem Francisco vivia ansioso por conquistas, por reconhecimento e glória humana, e deus  se serviu dessa inclinação natural para atraí-lo  e fazê-lo passar da sede de glória à ambição da verdadeira  glória. Em seu  diálogo com  Deus  Francisco se coloca disponível a servir. ” Senhor, que  que queres que eu faça? ” A partir deste momento, há nele uma notável mudança interior, que faz  nascer o desejo de conformar-se com a vontade divina.

Assim, inicia-se em Francisco  uma inversão total de sua escala de valores. Para melhor conhecer a vontade do Senhor foi necessário que tudo aquilo que antes lhe era amado e desejado possuir, passasse então a desprezar. Com sua conversão escolhe praticar a vida de penitência. E o que antes  lhe causava desprezo ou era amargo suportar, convertera para ele na doçura da alma e de corpo.

Com revelação Divina, podemos entender  que Francisco não se converteu a uma filosofia de vida  ou a um tipo de ideologia. a conversão de Francisco está relacionada a uma Pessoa. Mas, não se envolve  com um  personagem  histórico do passado, e sim,  com o Cristo vivo, presente , que fala com ele. Cristo tornar-se  para ele  ” o caminho, verdade e vida ” em sua busca de conhecer a Deus Pai (Ad.1,1).

Sua vida de penitência  se inspirará cada vez mais a Cristo como o servo perfeito, que manifesta seu amor profundo e total ao Pai, aceitando viver a vida dos homens, suportando a fome, a sede, o sofrimento e, finalmente , a morte  em uma cruz para a salvação de todos. Francisco quer ser como Ele. Cristo é o servo perfeito do grande Rei, Francisco também o será .

A experiência da impressão das chagas  no monte Alverne, dois anos antes de sua morte, retrata o ápice de toda a vida de um homem convertido a Cristo. Francisco o imita perfeitamente , de uma tal intensidade que devia desembocar quase que normalmente na estigmatização. Assim como Francisco imita a Cristo, padece com ele na Cruz:

“O Senhor , meu Jesus Cristo, duas graças eu te peço que me faças antes de eu morrer: a primeira é que, em vida, eu sinta na alma e no corpo , tanto quanto possível, aquelas  dores que Tu, doce Jesus, suportaste na hora  da tua dolorosa paixão. A segundo, é que eu sinta , no meu coração, tanto quanto possível, aquele excessivo amor, do qual Tu, filho de deus, estavas inflamado, para voluntariamente suportar uma tal paixão por nós pecadores”(3ª Cons. Estigmas).

 Frei Daniel Dellandera,OFM